Como fotografar auroras boreais

 









Ver e, já agora, fotografar auroras boreais é um dos sonhos mais frequentes de qualquer viajante. Mas para que tudo corra bem é preciso saber procurá-las no sítio e altura certa. Até porque se assim não for não vão conseguir chegar à fase de as fotografar.


Não vou negar que o fator sorte também está bem presente (conheço uma pessoa que já viajou para a Islândia, Lapónia e Trömso nas alturas certas do ano, especificamente para as ver, e não conseguiu) mas é preciso aumentar as probabilidades de as ver e estar preparado caso aconteça.

 

                           Como ver auroras boreais


Vão precisar de vários fatores: estar na latitude certa (ártica ou lá perto) na altura certa do ano, ou seja, no início do outono até ao início da primavera; escuridão; céu limpo ou parcialmente limpo e, finalmente, um elevado índice de atividade de auroras.


     1)  Onde ver auroras boreais

Islândia, Suécia, Finlândia, Norte do Canadá e Alaska são os melhores países para ver auroras. E, claro, apenas de setembro a abril.

Ao contrário do que se pensa os melhores meses são setembro e outubro, quando o céu está mais limpo, e não no pico do inverno. Na verdade, a primeira vez que vi uma aurora boreal foi no último dia de agosto na Islândia.


     2)  Estar num sítio escuro.

Ou seja, sem a poluição luminosa das cidades. Se estiverem na fase lunar da lua nova ou quarto minguante ainda melhor.


     3)  Um céu limpo.

É o fator mais frustrante. Saber que a atividade solar está elevada, mas não dar para ver nada por causa das nuvens.

No entanto, por vezes ainda dá para ver com algumas nuvens. Ou porque são nuvens pouco espessas, ou porque há umas pequenas abertas. Mesmo com nuvens, especialmente se atividade for um 3 ou 4, aconselho a sair à procura porque por vezes há surpresas em pequenas aberturas nas nuvens. E a verdade é que para quem viajou para o norte à procura delas há que fazer todos os esforços para as ver e não desperdiçar a mais pequena oportunidade.


     4)  Atividade magnética ou solar

A escala desta atividade é medida de 0 a 9 mas com 3 já dá para ver e com nível 4 as auroras já costumam ser muito bonitas e bem visíveis a olho nu.

Para quem nunca viu uma aurora, quando a atividade é baixa, pode ser difícil perceber que se está a ver uma. Quando isso acontece, e virem uma certa luminosidade no céu, apontar a máquina ou o telemóvel para o sítio onde pensam estar a ver algo. Se for uma aurora aparece o verde e se não for aparece a luz em branco.

 

    5)  Utilizar sites e apps para saber as probabilidades de ocorrer uma aurora

As minhas app favoritas são a Hello aurora, a Aurora forecast e, provavelmente a que costuma ser mais fidedigna, a Glendale (esta última não está na app store. É preciso descarregá-la diretamente do site).

Quanto a sites uso o Service Aurora (só para a Europa), O NOAA e, especificamente para a Islândia, uso o Vedur.

Só vejo previsões até dois ou três dias porque mais do que isso não são fidedignas.

 

                     Equipamento fotográfico necessário


1)   Uma máquina fotográfica que fotografe em modo manual. Se for Full Frame melhor. 


2)   Uma lente grande angular – f1.8, f2.8, máximo f4;


3)   Um bom tripé.


4)   Um controlo remoto. Mesmo com um tripé e mesmo as mãos menos trémulas terão dificuldade em conseguir não tremer no momento do click. Nós usamos um controlo remoto com fio e não o da aplicação de telemóvel porque é mais fiável e também para não estar a gastar a bateria do telemóvel a baixas temperaturas.


5)   Várias baterias suplentes.

As baterias tendem a descarregar com o frio pelo que convém guardá-las num bolso e ter várias.

Dica: temos colocado uma escalfeta encostada às baterias para que permaneçam quentes. Metemos também algumas na mochila da máquina fotográfica para ajudar a manter a temperatura.

 

6)  Quanto ao uso de telemóveis para fotografar auroras, se me tivessem perguntado até há um ano ou dois teria dito que não dava.

Mas, se tiverem um Iphone 11 Pro ou um Samsung Galaxy S20 (ou os seus modelos mais recentes), em modo noturno e com um tripé para telemóvel, já conseguem tirar fotografias aceitáveis, embora, diga-se, nunca com a qualidade de uma máquina fotográfica.




 

Quais os melhores settings para fotografar auroras boreais

 

Ver auroras é o mais importante, mas conseguir fotografá-las para poder recordar mais tarde é também muito bom.

Não existem “settings” absolutos e imutáveis, porque terão de ser ajustados consoante a velocidade e intensidade da aurora, mas os que se seguem são um bom princípio.

 

1)  Colocar a focagem da máquina no “ponto mais longe”

Se não fizerem isto não vão conseguir fotos bem focadas, ou “Sharp” como se diz em linguagem fotográfica.

Basicamente trata-se de selecionar o modo manual na lente, focar no ponto mais longe no horizonte e ajustar até estar perfeito.

Vão ler em certos sítios que é focar no infinito, mas não é bem isso. Se colocarem a lente no símbolo infinito, na nossa experiência, não vai resultar. É mesmo num qualquer ponto ou luz no horizonte.

Convém fazer isto antes de sair para a rua para fotografar porque com o frio e escuridão vai ser mais difícil. Se por acaso se tiverem esquecido e já estiverem no sítio onde vão fotografar, foquem num ponto luminoso qualquer ao longe (uma casa iluminada ou um poste) ou, se não resultar, coloquem uma lanterna ao longe e foquem na luz. Não mexer nem ajustar a lente depois deste processo estar concluído.

Para fotografar com pessoas e auroras na mesma foto, pedir à pessoa fotografada para ligar a luz do telemóvel ou uma lanterna para que a pessoa fique focada. Desligar, naturalmente,a luz assim que a focagem foi concluída e antes de começarem a fotografar.


2)  Wide aperture (grande abertura)

Depois de terem a máquina em modo manual coloquem na maior abertura que tiverem. Ou seja, 2.8 se tiverem lentes 2.8, 2.4 se tiverem lentes 2.4.


3)  Tempo de exposição

Vai depender da intensidade e rapidez das auroras. Se estiverem a movimentar-se rápido, 5-10 segundos, se estiverem a mover-se devagar, 12-20 segundos, se forem pouco visíveis podem ser precisos 20-25 segundos.

Se estiverem a fotografar com uma pessoa na imagem a pessoa terá de ficar absolutamente estática durante os segundos de exposição.


4)  ISO

Começar por experimentar com ISO 800 e ir aumentando se necessário até 1600, ou mais, se estiver mesmo escuro. O objetivo é tentar otimizar a ISO para o mínimo necessário para ter o mínimo de “grão” na imagem. 


5)  White Balance

Fotografar preferencialmente em RAW mas se preferirem não o fazer e se o modo automático do White Balance não sair bem tentar valores Kelvin entre 2800 e 4000.

 

             Dicas práticas para fotografar auroras

 

     1)  Pode parecer óbvio, mas a primeira dica é efetivamente sair do hotel e ir à procura de auroras. A maior parte das pessoas quer vê-las sem sair do quarto. É verdade que já tive a sorte de as ver duas vezes do hotel em que estava hospedada porque estava numa zona remota e pouco iluminada da Islândia, mas normalmente é mesmo preciso fazer alguns quilómetros de carro à procura.

Sair à procura mesmo que a atividade seja só um 2, especialmente se o céu estiver limpo.


     2)  Material fotográfico explicado acima.


    3)  Levar roupa quente, bom calçado e dois pares de luvas, sendo que um dos pares, o interior, ser daquelas luvas térmicas com a ponta do indicador com tecido que permite mexer no telemóvel.


    4)  Uma lanterna de cabeça. Vai dar muito jeito para ajustar a máquina ou procurar algo na escuridão sem ter de estar a usar a luz do telemóvel que, com o frio e utilização a baixas temperaturas, tende a descarregar rápido.


     5)  Um termo com chá quentinho e uns snacks. Agradeçam-me mais tarde.


    6)  Escalfetas, como já mencionado, quer para meter nas luvas e calçado quer para ajudar a manter o material fotográfico mais quente.

 

 

Uma nota final: se correr mal e se, apesar de tudo, não estiverem a conseguir fotografar, aproveitem antes o espetáculo. Se as auroras durarem tempo suficiente voltem a tentar mais tarde. Mas não percam um evento tão raro por uma fotografia.


 

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Mais fotos aqui Instagram Mundo Magno

 


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