Índia – if you can make it there you can make it anywhere

Daqui a alguns dias estaremos na Índia. Já lá estivemos os dois há alguns anos e foi uma experiência alucinante. Desta vez, com o Magno, espero que seja uma viagem um pouco mais tranquila mas sabemos que serão necessários cuidados extras. Viajar pela Índia não é o mesmo que viajar na Europa ou no Sudeste Asiático e não é à toa que o subcontinente é considerado a melhor escola para viajantes independentes, numa espécie de “if you can make it there you can make it anywhere”.
 
Vamos viajar como sempre: mochilas, hotéis baratos, transportes públicos e para onde nos levar a corrente. Mas será na desafiante Índia, com um pequenino de dois anos e sem nenhuma informação sobre outras pessoas que tenham feito o mesmo. Por muito que procuremos por viajantes que tenham levado filhos pequenos para a Índia, em modo mochileiro, não conseguimos encontrar nada. Por isso, nada como nos preparamos bem e fazer uma checklist dos eventuais problemas e formas de os contornar:
Note to self:
  1. A água. Esta é a nossa grande preocupação. Quando lá estivemos, e de modo a não andarmos sempre a analisar as garrafas de água à lupa, bebíamos essencialmente Coca-Cola. Agora vamos mesmo ter de andar a fiscalizar garrafas… Tal como acontece em outros países, mas na Índia a uma escala maior, há muita contrafação de garrafas de água. Sendo a água, a par com os mosquitos, o maior foco de transmissão de doenças, esta vai ser a nossa maior batalha.
  2. Os esquemas e solicitações constantes. As pessoas costumam dar como exemplo Marrocos ou Egipto como expoentes máximos das tentativas de extorsão. Esqueçam… quem nunca esteve na Índia não sabe o que é um “scam” à séria. Na Índia, a prática do engano ao viajante, é elevada a desporto nacional ao mesmo nível do cricket (prometo que em breve farei um post com uma espécie de Top 10 dos “scam” que tentaram pôr em prática connosco). O único valor que teremos de proteger será o Magno. Tudo o resto, máquinas fotográficas, lentes, computador, dinheiro, telemóveis não são nada. Por isso, quando estivermos rodeados de “touts” a assediar-nos com esquemas ele será obviamente o objeto de todos os nossos cuidados.
  3. A comida no geral e o picante em especial. “Sem picante” diz-se “koee masaaledaar” em hindi e esta será provavelmente a frase mais proferida durante a viagem. Pela nossa experiência, eles entendem o “sem picante” como querendo dizer “extremamente picante mas sem entrar em coma”. Por isso vai ser preciso provar mesmo tudo antes do Magno comer. No entanto vamos tentar apostar em alguns pratos que, normalmente, não levam piripiri e afins: pakorassamosas; saagchana dal e moong ki dal.
  4. A sujidade. Desde que estivemos na Índia nunca mais achámos que algum país era particularmente sujo. Provavelmente, quem visita o país dentro de um autocarro com ar condicionado e no conforto de uma viagem organizada, não entra muito em contacto com esse lado menos bom. Numa rua indiana, o normal é o chão estar pejado de dejetos animais e humanos, lixo e nuvens de moscas. Mas nada que toalhetes e desinfetante para as mãos não resolvam.
  5. O calor e humidade extrema. Lembro-me bem de andar em constante modo “miss t-shirt molhada”. Bastavam cinco minutos na rua para conseguir tal efeito. Por isso vamos ter de levar água termal para o refrescar e oferecer constantemente água a beber. Vamos experimentar levar um daqueles sacos com um tubo para que quando for nas nossas costas possa ter um acesso fácil a água.
Os restantes cuidados serão os normais. Vacinas em dia, kit de medicamentos e seguro de saúde internacional. E venha de lá mais esta aventura a três! Mal podemos esperar :)

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